Informacion en Salud - Brasil - Bol. Situação Epidemiológica do Brasil


Resumo da Situação Epidemiológica – Brasil

Raiva humana -  23 casos confirmados no Brasil até a semana 44. Concentração de casos no estado do Maranhão, na Região Nordeste.  Não há registro de casos nos estados de fronteira com o MERCOSUL.

Síndrome Pulmonar por Hantavirus – 31 casos confirmados no ano 2000 no país. Relato da ocorrência de casos na Região Nordeste (estado do Maranhão), até então sem registro da ocorrência de hantaviroses. Ocorrência de 6 casos confirmados nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná e 1 caso em Santa Catarina. Está sendo realizada estudo epidemiológico  no estado do Paraná, que será seguido por estudo ambiental.

Doença meningocócica – 2662 casos confirmados até a semana 40. Não há registro de surtos e epidemias no período.

Sarampo – 35 casos confirmados no ano 2000, em 7estados e 21 municípios, sendo o maior registro no estado do Acre, seguido por São Paulo. A faixa etária mais acometida é a  de menores de um ano com 15 casos (43%), seguida de 12 casos (34%) de 1 a 14 anos, 6 casos (17%) de 15 a 29 anos e 2 casos (6%) em maiores de 30 anos. Com exceção do surto ocorrido no Acre, os demais casos são esporádicos. As atividades de  vigilância epidemiológica e laboratorial vem sendo intensificadas com o reteste das amostras reagentes e realização de diagnóstico diferencial para outras exantemáticas, de acordo com a situação epidemiológica local. Importantes progressos estão ocorrendo para a confirmação da interrupção da transmissão do vírus autóctone no Brasil. Não há registro de caso confirmado desde a semana epidemiológica 40.


Rubéola – mais de 8 mil casos confirmados no ano (até semana 44). Epidemias em municípios do nordeste do estado de São Paulo e no estado do Rio Grande do Norte.
Cólera – 720 casos confirmados no nordeste do país nos estados de Alagoas e Pernambuco, Bahia e Sergipe .

Febre Amarela Silvestre – os últimos casos confirmados foram registrados no mês de junho. Total de 82 casos confirmados no ano. Surto no estado de Goiás, na região central do país, com 55 casos em 30 municípios, com pico no mês de fevereiro. Ocorrência de casos de febre amarela silvestre na região oeste dos estados da Bahia e São Paulo, onde não se registravam casos há mais de 50 anos. Intensificação da vacinação contra a febre amarela em toda a área endêmica e área de transição (áreas limítrofes às áreas endêmicas). Aproximadamente 40 milhões de pessoas  foram vacinadas no ano 2000. Ocorrência de 2 eventos adversos graves após a vacina contra a      febre amarela, com óbitos. O Ministério da Saúde convocou um Comitê Internacional de Peritos para análise e recomendações quanto a investigação destes casos. As investigações continuam em andamento. A investigação virológica, com o sequenciamento do genoma dos vírus vacinal (do lote semente secundário da vacina BIOMANGUINHOS/FIOCRUZ) e dos vírus isolados dos 2 pacientes não revelou a ocorrência de nenhuma mutação que pudesse estar associada aos eventos adversos.

Malária – Foram confirmados 358576 casos de Malária no ano 2000, sendo 99,7% nos estados da região amazônica e a proporção de casos por falciparum inferior a 20%. Dos estados que fazem parte do MERCOSUL apenas o Paraná apresenta registro de casos autóctones de malária vivax.

Dengue – Após a epidemia de dengue ocorrida no ano de 1998 houve uma redução acentuada de casos em 1999 e uma tendência a estabilização no ano 2000 com o registro de 207.937 casos ate a semana epidemiológica 44. A dispersão do Aedes aegypti atinge as 27 U.F  e há transmissão da doença em 24 estados, com a circulação simultânea dos sorotipos Den 1 e Den 2 em, pelo menos, 20 estados. Mais de 50% dos casos são provenientes da região nordeste. Considerando a situação epidemiológica atual e o risco da introdução de novos sorotipos que já foram detectados em países que fazem fronteira com o Brasil ( Venezuela, Suriname, Guiana e em países da América Central) estão sendo implementadas medidas de intensificação da vigilância epidemiológica no sentido de detectar e controlar precocemente a introdução de novos sorotipos.

Febre Hemorrágica do Dengue – 40 casos de FHD confirmados ate a semana epidemiológica 44, sendo  mais de 80% no estado de Pernambuco. A letalidade registrada e inferior a 1%.


Febre Tifóide – 417 casos confirmados, com maior incidência nas regiões norte e nordeste do pais.

Tétano Neonatal – 30 casos de TNN registrados ate a semana epidemiológica 44. Visando eliminar o problema de forma homogênea o Brasil tem adotado estratégias de intensificar a vacinação de mulheres em idade fértil nas áreas de risco definidas por critérios epidemiológicos.

Peste – Apenas 1 caso registrado no ano 2000, no estado da Bahia. A doença ocorre em áreas focais bem delimitadas da região nordeste e sudeste do pais.

Difteria – 38 casos acumulados ate a semana epidemiológica 44.

Poliomielite – Após a erradicação em 1989, houve a implantação da vigilância das paralisias flácidas agudas que vem sendo intensificada de forma a garantir o cumprimento dos indicadores preconizados pela OPAS/OMS.


Situação e recomendações para algumas doenças transmissiveis

Sarampo

Os dados apresentados apontam que os países estão muito próximos de alcançar a meta estabelecida de eliminação do sarampo e, portanto, mantém o compromisso de dar prosseguimento ao desenvolvimento das ações de vigilância com vistas ao seu alcance ainda no ano 2000. Até a semana epidemiológica 44 foram registrados 35 e 06 casos no Brasil e Argentina, respectivamente, não tendo sido registrados casos no Paraguai e Uruguai. A análise da situação de Sarampo demonstra que, embora os países apresentem altas coberturas vacinais contra a doença, ainda há localidades com coberturas insuficientes que, ao lado de um percentual de falha na proteção da vacina, podem produzir um acúmulo de susceptíveis, mantendo o risco de surgimento de surtos epidêmicos. Sendo assim torna-se necessário desenvolver estratégias de vacinação que garantam a cobertura vacinal de forma homogênea para todas as crianças menores de 5 anos e fortalecer as atividades de vigilância epidemiológica visando a detecção imediata de casos suspeitos e adoção oportuna de medidas de controle.

Recomendações

3Fortalecer as ações de vigilância epidemiológica com vistas a detecção imediata dos casos suspeitos e adoção oportuna das medidas de controle,

3Realizar busca ativa de casos,

3Realizar a notificação negativa semanal,

3Garantir coberturas vacinais homogêneas, acima de 95%, com a vacina tríplice viral para menores de 5 anos,

3Realizar campanhas de seguimento para crianças menores de 5 anos.

CÓLERA

Situação

Vem se observando redução significativa de casos e óbitos por cólera, resultado de ações de controle, melhorias no saneamento básico e atenção médica adequada e oportuna. No decorrer do ano 2000 o Brasil detectou 720 casos de cólera cuja ocorrência se deu nos estados de Pernambuco, Alagoas, Bahia e Sergipe. Os demais países não registraram casos. Como regra geral, os países implantaram a monitorização de doenças diarréicas que permite a detecção precoce de surtos e a identificação de casos da doença específica. Tendo em vista que o risco de se adquirir a doença está fortemente associado às condições precárias de saneamento e ao conhecimento e adoção de bons hábitos de higiene, torna-se necessário um trabalho integrado com outros setores governamentais no sentido de dar maior resolutividade às ações desenvolvidas pelo setor saúde.

 

Recomendações

3Fortalecer as atividades de vigilância epidemiológica sobre as doenças diarréicas em geral,

3Demandar aos setores responsáveis as melhorias de saneamento básico para populações de risco,

3Desenvolver campanhas educativas, através de meios de comunicação de massa, com informações sobre doenças diarréicas e suas formas de prevenção.

FEBRE AMARELA

O ano 2000 foi marcado por uma epidemia de Febre Amarela no Brasil, que guarda uma relação de continuidade com a de 1999 e o surto de 1998. Houve aumento considerável de casos de febre amarela silvestre, 82 casos, no país, manifestando-se através de inúmeros focos de atividade que extrapolaram as áreas endêmicas, inclusive com o registro de casos onde há cerca de 50 anos não se registrava a presença do vírus, como foi o caso de São Paulo e Bahia. Sua maior expressão, porém, se deu no estado de Goiás, onde 29 municípios apresentaram transmissão e 29 registraram epizootias, evidenciando a presença do virus. Medidas enérgicas foram adotadas no sentido de se controlar a doença e evitar sua reurbanização, visto que o vetor urbano está presente em mais de 3000 municípios brasileiros. Nesse sentido foram desenvolvidas as seguintes medidas:

-          vacinação de toda a população residente na área de ocorrência de casos e municípios limítrofes, área endêmica e de transição que resultou em mais de 47 milhões de doses de vacina aplicadas nos últimos três anos,

-          reforço da vigilância epidemiológica dos estados com investigação e busca ativa de casos suspeitos,

-          ampliação da rede de laboratórios para o diagnóstico sorológico,

-          vacinação de viajantes com deslocamento para áreas de risco,

-          divulgação através dos meios de comunicação de massa sobre o risco de adoecer nessas áreas e a necessidade de se vacinar.

A aplicação dessas medidas foi fundamental para o controle da epidemia e o último caso confirmado ocorreu no mês de junho, não tendo também sido registradas epizootias após essa data.

Os demais países não têm registrado casos de febre amarela, porém vêm reforçando a necessidade de vacinação de indivíduos no caso de deslocamentos para áreas endêmicas ou epidêmicas.

Recomendações

3Reforçar a vigilância epidemiológica no sentido de se detectar precocemente casos e adotar medidas de controle,

3Intensificar a vacinação para toda a população residente nas áreas endêmicas, bem como para viajantes que se dirijam para essas áreas de forma a evitar a ocorrência de casos e manter erradicada a forma urbana da doença.

DOENÇA DE CHAGAS

Situação

Uruguai já foi certificado da interrupção da transmissão vetorial e o Brasil foi certificado em 06 estados. Argentina está em vias de alcançar a interrupção da transmissão vetorial em alguns estados e o Paraguai vem intensificando as ações de controle com esse objetivo. De uma forma geral o programa de controle da transmissão natural da doença depende fundamentalmente da intervenção sobre o vetor, através do uso de inseticidas e melhorias domiciliares. Para tanto é necessário que a vigilância entomológica seja de caráter permanente, com a participação efetiva da população e com o máximo aproveitamento dos recursos locais de saúde. Ainda a nível de prevenção primária deve-se fortalecer o controle de outros mecanismos de transmissão como a triagem de doadores de sangue em serviços de hemoterapia, bem como a identificação de gestante chagásica e tratamento de recém-nascidos infectados.

Recomendações

3Fortalecer a sustentabilidade e continuidade dos Programas Nacionais de Controle de Chagas para que a conquista inicial alcançada na transmissão vetorial seja também alcançada na transmissão sangüínea,

3Favorecer a articulação do setor saúde com os demais setores nos municípios de forma a desenvolver ações de saneamento ambiental e melhorias domiciliares.





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